Humanos e coisas numa sociedade de banalidade e indiferença

A nosso ver, a partir da experiência dos regimes totalitários, subsistiram elementos que, os quais parece, vieram para ficar. A própria Hannah ARENDT (Esprit, p.67) admite isso em 1953, quando afirma que elementos do pensamento totalitário hoje existem em todas as sociedades livres.

Antonio Abranches sobre isso diz: "Quanto ao totalitarismo, não se trata de um passado que já passou, do desvio acidental de um projeto histórico inacabado, ou de um peso morto que o tempo, por si mesmo, relegará ao esquecimento. A sobrevivência de 'elementos' totalitários em regimes não-totalitários continua a ser uma ameaça tão mais poderosa quanto mais recoberta estiver pelo esquecimento e pela subseqüente paralisação de um pensamento que se encontra impedido de começar a pensar."(ABRANCHES. Introdução - uma herança sem testamento, p.13.)

E Castoriadis, em 1985, falando sobre o regime russo: "Na verdade, o totalitarismo tem sido 'digerido' como uma coisa do passado, um assunto para sucessos de televisão ou exploração literária. A comercialização do passado serve, por assim dizer, para empurrar para o passado as possibilidades do monstruoso e para fugir da monstruosidade com que nos confrontamos hoje em dia." (CASTORIADIS. Os destinos do totalitarismo, p.9.).

Hannah Arendt e a banalidade do mal

Introdução -- O mal radical como ponto de partida -- A novidade totalitária -- A banalidade do mal: uma invenção contemporânea -- O vazio de pensamento

Eichmann em Jerusalém - Pós-escritos - Hannah Arendt

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